“Muitos alunos me perguntam como foi que me tornei paisagista e, principalmente, qual o melhor caminho a se seguir para se especializar na elaboração de jardins ecológicos e sustentáveis no paisagismo. Adoraria ter na ponta da língua uma resposta do tipo: é só fazer os cursos A, B e C que você estará pronto para começar a desenhar seus projetos. Só que as coisas não são tão simples assim.

Todo paisagista precisa de uma formação multidisciplinar com conhecimentos de  arquitetura, agronomia, botânica, meio ambiente e artes plásticas, e não existe uma faculdade ou curso que reúna tudo isso. É preciso estudar muito e, principalmente, trabalhar próximo a profissionais experientes para ver de perto como eles lidam na prática com questões tão amplas, variadas e complexas.

Filho de família alemã, desde a infância eu sempre vivi em meio a jardins bem cuidados e diversos. Na hora de escolher um curso superior, fiquei na dúvida entre biologia e agronomia, mas acabei optando pelo segundo por ser mais focado no uso da terra. Sentia falta de mais profundidade na área de plantas ornamentais, e por isso emendei um mestrado em floricultura na mesma faculdade.

Trabalhei por alguns anos em um viveiro público, assumi o departamento de paisagismo de uma importante floricultura e só depois de acumular uma boa bagagem abri minha empresa e minha escola de paisagismo. Ainda hoje não me considero um profissional “pronto”, e vou me aprimorando constantemente, não apenas estudando temas ligados à minha área, mas também pesquisando outros ramos do conhecimento que possam levar meu paisagismo a novas dimensões.

Para quem está iniciando a carreira, minha sugestão é começar com formação  acadêmica – pode ser uma graduação em agronomia, arquitetura, biologia ou engenharia florestal. Cursos técnicos de paisagismo também são muito bem-vindos, assim como os cursos livres – os do Centro Paisagístico Gustaaf Winters (www.centropaisagistico.com.br) e os que eu promovo na escola Perau do Encanto (www.paisagismoregenerativo.com.br) fornecem uma boa base.

Invista em bons livros, não apenas de jardinagem, paisagismo e arquitetura, mas também de arte, ecologia, história, medicina holística, espiritualidade. Revistas ligadas ao tema, sejam elas científicas ou culturais, como é o caso da Revista Natureza, são outras ótimas fontes de conhecimento, assim como sites especializados, artigos científicos, vídeos online e as redes sociais de pessoas ligadas ao assunto.

Seminários, congressos e vivências com mestres do paisagismo são essenciais para renovar as ideias. Eu, particularmente, participo de pelo menos quatro ao ano, incluído aí o Congresso de Paisagismo Regenerativo que eu mesmo promovo. Outras boas opções são o Enflor & Garden Fair (enflor.com.br) e o Encontro ANP de Paisagismo (http://bit.ly/2A0ciQ2), promovido pela Associação Nacional de Paisagismo (ANP).

Também não perco a oportunidade de, em minhas viagens, visitar jardins botânicos, viveiros de plantas e, é claro, jardins criados por outros paisagistas. Como meu foco está nos projetos naturalistas, a visita constante a paisagens naturais é quase uma obsessão. São momentos de contemplar os vários padrões das formas de relevo, das águas, dos aspectos climáticos e de todos seres vivos. É com tudo isso que eu me aprofundo cada vez mais na profissão e aprimoro meu trabalho como criador de novas paisagens e  também como alguém buscando a conscientização, especialmente a ambiental na comunidade.

E você, já encontrou seu caminho?”

Por Toni Backes

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